top of page
Daemonium_Capa.jpg
brasão-01.png
brasão-01.png

REVISTA NGANGA

A Revista da Feitiçaria Brasileira

A Revista Nganga é um periódico dedicado ao estudo da feitiçaria tradicional brasileira, i.e. a Quimbanda, dirigido tanto ao leitor leigo quanto ao especializado. Nela, a Quimbanda é examinada como goécia brasileira: um sistema ritual de mediação com as potências ctônicas e com os mortos, e como forma de vida a ela correlata, a vida de goécia, tratada não como vivência a relatar, mas como objeto de análise.

Doravante, a revista inscreve o seu objeto no interior do estudo comparado da magia antiga, no registro consolidado pela série Religions in the Graeco-Roman World (Brill). A Quimbanda passa a ser tratada como categoria de segunda ordem (um regime de eficácia ritual entre outros), examinada pelo seu aparato material e pela sua função. Tal deslocamento, longe de afastá-la da sua tradição, oferece-lhe um instrumental à altura da sua sofisticação.

O termo que dá nome ao periódico provém do universo linguístico banto. Em quicongo, nganga designa o especialista ritual por excelência: o sacerdote-curador e adivinho que opera os minkisi (sing. nkisi, objeto ritual investido de potência) e medeia entre a comunidade e os bakulu, os mortos ancestrais divinizados. É figura de saber, detentor dos mistérios, curador das mazelas da alma e senhor da comunicação com os mortos, razão pela qual o vocábulo se associa igualmente à ideia de poder ritual. O seu cognato quimbundo é kimbanda, o operador ritual de que a própria Quimbanda toma o nome.

 

Cumpre, porém, distinguir o antecedente africano da sua reconfiguração diaspórica. Se a Quimbanda deriva o seu nome do kimbanda banto, no Brasil ela não o reproduz: constitui-se, antes, como um sistema demonológico e nigromântico, uma goécia (goēteía, arte de convocar os mortos e as potências infernais), cuja entidade tutelar é o Exu-Diabo, construção histórica do imaginário afro-diaspórico. O léxico próprio dos seus suportes materiais é o do assentamento, do fundamento e da tronqueira, e não o do nkisi, que pertence à matriz congo-angolana.

 

É para honrar essa figura ancestral, o especialista ritual banto, homólogo funcional, e não descendente histórico, do goês (góēs) greco-mediterrâneo, que o periódico adota o nome nganga. A revista reúne ensaios sobre a doutrina, a história e a práxis da Quimbanda, no eixo que a família de Quimbanda Nàgô da Cova de Cipriano Feiticeiro vem desenvolvendo. Os números encontram-se disponíveis para download.

brasão-01.png

ENSAIOS NOVOS 

ChatGPT Image 26 de jul. de 2026, 13_11_04.png

O Feitiço está na Matéria

O editorial estabelece, em chave rigorosamente material, que a eficácia do feitiço não reside na interioridade psicológica do operador, mas na composição objetiva do dispositivo ritual: recuperando a doutrina teúrgica de Jâmblico segundo a qual os sýmbola/synthḗmata operam kath’ heautá, e articulando‑a com a virada material proposta por David Frankfurter, o texto redefine o mágos como especialista situado cuja agência se distribui entre corpo, matérias e signos, demarca essa posição tanto do evolucionismo mentalista de Frazer (simpatia/contágio) quanto de qualquer ontologia ingênua da magia como essência, e afirma como tese vertebral que correção ritual se mede pela justeza do arranjo material, não pela intensidade da vontade.

ChatGPT Image 29 de jun. de 2026, 18_51_53.png

A Matéria Ritual

O ensaio demonstra, em chave rigorosamente material, que a eficácia do feitiço não reside na vontade do operador, mas na composição objetiva do dispositivo ritual: articulando a virada material nos estudos da religião (Meyer, Morgan) com a dos estudos da magia antiga (Frankfurter, Wilburn), relê a práxis da Quimbanda (o assentamento, o padê, o ponto riscado, o corpo) como técnica de composição, descrita pelos verbos da matéria (fixar, portar, condensar, depositar) e por cinco regimes formais da matéria; homologa, em chave estritamente morfológica, o assentamento ao ágalma teúrgico e o corpo possuído ao receptáculo (hypodochḗ) da eficácia telestica, e afirma como tese vertebral que a matéria não ilustra o feitiço: ela o faz.

ChatGPT Image 29 de jun. de 2026, 18_41_51.png

O que é o Regime de Eficácia?

O ensaio funda a categoria do regime de eficácia. Sua tese é que a eficácia ritual não é propriedade de nenhum elemento isolado (nem da vontade do operador, nem da virtude do objeto), mas forma da composição (σύνθεσις) que articula quatro dimensões irredutíveis: quem opera, com que meios, segundo qual sequência e para qual finalidade. Distingue-o do regime ritual de Mauss e Hubert e do campo religioso de Bourdieu, na escala da operação concreta; e demonstra, contra o fantasma de Frazer, que dois ritos idênticos por fora podem operar em sentidos opostos. Fecha na economia de verificação (da δύναμις que se atualiza em ἐνέργεια ao fundamento que responde), afirmando que a eficácia não mora numa coisa: é a forma de compô-la.

ChatGPT Image 25 de jul. de 2026, 17_28_11.png

O Regime de Eficácia na Quimbanda

A peça desdobra a categoria do regime de eficácia numa tipologia das finalidades da Quimbanda. Sua tese é que, sendo a eficácia forma da composição e a finalidade o que retroage sobre operador, meios e sequência, descrever o culto operativamente é levantar o mapa, finito, de suas finalidades. Fixa doze regimes (atar, cortar, abrir, fechar, guardar, ferir, reger, curar, fortalecer e correlatos), reunidos em cinco famílias operativas, cada uma lida em homologia morfológica, não genealógica, com os Papiros Mágicos Gregos: σύστασις e πάρεδρος, κάτοχος, θυρωροί, κατάδεσμος, θυσία. Contra o léxico da energia, que não distingue atar de cortar, devolve o mapa das finalidades: a eficácia não mora numa coisa, é a forma de compô-la.

ChatGPT Image 29 de jun. de 2026, 19_02_17.png

Téchnē, não Fé

A peça sustenta que a mageía não se ordena pela «fé» nem pela «crença», mas pela téchnē: a arte do operador, a composição material correta sob um regime de eficácia. Sua tese é que «crença», longe de universal, é um artefato cristão-moderno (Morgan, Asad), inadequado como critério: descreve não o que os operadores fazem, mas o que uma tradição confessional esperaria. Duas ordens de evidência a sustentam, lidas em homologia morfológica, não genealógica: os Papiros Mágicos Gregos, receituário técnico em que pístis não é fé e katokhḗ é vinculação, não possessão; e a Quimbanda, religião material cuja autoridade (assentamento, ponto, firmeza) é técnica e transmitida. Nem o escriba nem o kimbanda operam por fé: operam por ofício.

ChatGPT Image 25 de jul. de 2026, 17_08_37.png

Autoridade Reversível

A peça sustenta que a autoridade ritual (carisma, sacerdócio, outorga) não é essência nem posse permanente, mas relação conferida e reconhecida; e, por isso, revogável: o regime que institui o operador pode desinstituí-lo. Sua tese lê o proscrito por «alta traição» como caso-limite, e a καθαίρεσις (deposição) como a operação inversa e simétrica da χειροτονία (ordenação). Duas ordens de evidência a sustentam, em homologia morfológica, não genealógica: o mundo antigo (atimía, asébeia, anátema, damnatio memoriae) e a Quimbanda, onde a despoja esfaqueia e queima a bandeira e destrói o brajá imperial diante da comunidade. Com Weber e Bourdieu: o carisma retirado não é anomalia: é a prova de que nunca foi posse. Foi outorga.

brasão-01.png

REVISTA NGANGA: A REVISTA DA
FEITIÇARIA TRADICIONAL BRASILEIRA

Screenshot_28.jpg

Revista Nganga No. 9

Na Edição 9 traz um ensaio vigoroso sobre sacrifício animal. e apresenta o conceito de tronco tradicional  de Quimbanda.

Screenshot_27.jpg

Revista Nganga No. 10

Na Edição 10 publicamos o artigo introdutória acerca da Quimbanda como goécia Brasileira e a Nova Síntese da Magia.

Screenshot_26.jpg

Revista Nganga No. 11

Na Edição 11 é apresentado um artigo descrevendo a natureza do Chefe Império Maioral, o Diabo, e uma explicação sobre seu Brasão.

Screenshot_25.jpg

Revista Nganga No. 12

Na Edição 12 apresentamos a descrição de alguns Exus e o sincretismo estabelecido com os demônios do Grimorium Verum.

Screenshot_24.jpg

Revista Nganga No. 13

Na Edição 13 apresentamos mais estudos sobre a Quimbanda, sua relação com o Ocultismo e com o Esoterismo Ocidental.

Screenshot_23.jpg

Revista Nganga No. 14 - Edição Especial

Revista Nganga No. 14, Edição Especial: Doxografia Goética, versa sobre teologia noturna, Ocultismo brasileiro, e vida de goécia.   

bottom of page