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REVISTA NGANGA

A Revista da Feitiçaria Brasileira

A Revista Nganga é um periódico dedicado ao estudo da feitiçaria tradicional brasileira, i.e. a Quimbanda, dirigido tanto ao leitor leigo quanto ao especializado. Nela, a Quimbanda é examinada como goécia brasileira: um sistema ritual de mediação com as potências ctônicas e com os mortos, e como forma de vida a ela correlata, a vida de goécia, tratada não como vivência a relatar, mas como objeto de análise.

Doravante, a revista inscreve o seu objeto no interior do estudo comparado da magia antiga, no registro consolidado pela série Religions in the Graeco-Roman World (Brill). A Quimbanda passa a ser tratada como categoria de segunda ordem (um regime de eficácia ritual entre outros), examinada pelo seu aparato material e pela sua função. Tal deslocamento, longe de afastá-la da sua tradição, oferece-lhe um instrumental à altura da sua sofisticação.

O termo que dá nome ao periódico provém do universo linguístico banto. Em quicongo, nganga designa o especialista ritual por excelência: o sacerdote-curador e adivinho que opera os minkisi (sing. nkisi, objeto ritual investido de potência) e medeia entre a comunidade e os bakulu, os mortos ancestrais divinizados. É figura de saber, detentor dos mistérios, curador das mazelas da alma e senhor da comunicação com os mortos, razão pela qual o vocábulo se associa igualmente à ideia de poder ritual. O seu cognato quimbundo é kimbanda, o operador ritual de que a própria Quimbanda toma o nome.

 

Cumpre, porém, distinguir o antecedente africano da sua reconfiguração diaspórica. Se a Quimbanda deriva o seu nome do kimbanda banto, no Brasil ela não o reproduz: constitui-se, antes, como um sistema demonológico e nigromântico, uma goécia (goēteía, arte de convocar os mortos e as potências infernais), cuja entidade tutelar é o Exu-Diabo, construção histórica do imaginário afro-diaspórico. O léxico próprio dos seus suportes materiais é o do assentamento, do fundamento e da tronqueira, e não o do nkisi, que pertence à matriz congo-angolana.

 

É para honrar essa figura ancestral, o especialista ritual banto, homólogo funcional, e não descendente histórico, do goês (góēs) greco-mediterrâneo, que o periódico adota o nome nganga. A revista reúne ensaios sobre a doutrina, a história e a práxis da Quimbanda, no eixo que a família de Quimbanda Nàgô da Cova de Cipriano Feiticeiro vem desenvolvendo. Os números encontram-se disponíveis para download.

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ENSAIOS NOVOS 

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REVISTA NGANGA: A REVISTA DA
FEITIÇARIA TRADICIONAL BRASILEIRA

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